As Termas Douradas de Aurumdoria não foram erguidas para purificar o corpo, mas para ensinar-lhe a única devoção que ali importa: o ouro.

As Termas Douradas de Aurumdoria não foram erguidas para purificar o corpo, mas para ensinar-lhe a única devoção que ali importa: o ouro.
As Termas Douradas de Aurumdoria não foram erguidas para purificar o corpo, mas para ensinar-lhe a única devoção que ali importa: o ouro. Ele reveste colunas, abraça estátuas, borda divãs e se multiplica em reflexos sobre a água, até que cada ondulação pareça carregar uma luz divina. Sob milhares de velas, o metal deixa de ser mera riqueza e se torna sagrado: é oferenda, altar e ídolo.
A água quente desliza pelo mármore como ouro derretido e envolve aqueles que se abandonam às piscinas. À margem, vinho, frutas e perfumes adocicados permanecem ao alcance das mãos. Almofadas de seda convidam à preguiça, nenhuma taça precisa ficar vazia e, em meio ao vapor, qualquer pensamento de dever parece distante.
Ali, desejar não é pecado: é liturgia. O prazer é oração, a abundância é virtude, e desperdiçar algumas horas em absoluto deleite talvez seja a forma mais sincera de reverência. Afinal, em Aurumdoria, por que esperar por um paraíso depois da morte quando se pode revesti-lo de ouro ainda em vida?