Sob o esplendor de Aurumdoria existe uma cidade que não recebe sua luz.

Sob o esplendor de Aurumdoria existe uma cidade que não recebe sua luz.
Sob o esplendor de Aurumdoria existe uma cidade que não recebe sua luz. Ela não possui ruas, habitantes ou céu. Seus caminhos foram escavados para baixo, como se mãos antigas houvessem procurado nas entranhas da pedra um lugar profundo o bastante para guardar aquilo que nem mesmo a Ordem desejava esquecer. As Esfinges deram-lhe um nome antigo: Aurum-Khar: "Aquilo que repousa sob o Ouro".
Sua entrada conduz a um vasto poço circular, abraçado por uma escadaria que desce em espiral. No princípio, ainda há ouro. Ele acompanha os degraus, contorna inscrições e cintila nos olhos das primeiras estátuas. Quanto mais profunda a descida, menos ouro existe. Primeiro desaparece das paredes, depois das colunas. Por fim, resta apenas nas antigas representações de Garador e é então que surge a prata. As galerias se estreitam e voltam a se abrir em salões inesperadamente monumentais. Águias de asas recolhidas guardam passagens, enquanto grandes felinos repousam diante de portas. Há Esfinges esculpidas em silêncio, algumas ajoelhadas, outras armadas, outras ainda acompanhadas pelas formas de seus familiares.
Em Aurum-Khar, as paredes se lembram, e no coração mais profundo das catacumbas, duas passagens perfeitamente opostas levam a câmaras distintas. Não há túmulos. No centro de cada câmara repousa somente um altar de prata e representações em prata de Soria e Setíferus. Quem desce nas Catacumbas procurando aquilo que repousa sob o ouro descobre que, nas maiores profundezas de Aurumdoria, não foi um tesouro que Garador escolheu guardar.