A Luz, a Escuridão e a Árvore Espiritual
Os Estelares, Lua Verdadeira e Paenitet, o Miasma, e a Árvore plantada pra purificá-lo.
Do abismo gélido e asfixiante, onde nada mais havia, emergiram Corpos Celestes ansiando por liberdade, um conceito forjado por eles após milênios de inércia. Nenhum perseguidor os ameaçava, mas ainda assim, fugiam. Fugiam da ausência de Luz, fugiam da ausência de tudo.
Embora divergentes em suas intenções, esses enigmáticos seres sencientes compartilhavam um objetivo comum: libertar o Cosmos das garras da escuridão. Rapidamente, autodenominaram-se Estelares e começaram a se multiplicar, inflamando o vazio com suas Luzes. No entanto, o fogo por si só não bastava. Eles ansiavam por algo que não exigisse combustível constantemente. Essa ambição alimentou uma rivalidade feroz entre a Escuridão e a Luz, uma batalha que duraria milênios e desencadearia um terrível evento conhecido como a Guerra da Soberania.
Com esse plano em mente, uniram-se e criaram Lua Verdadeira, a primeira Luz Eterna. Seu propósito era simples: manter-se acesa para afugentar a escuridão ao seu redor. Plena de gratidão por sua criação, ela aceitou o papel com determinação e foi acolhida pelos Estelares como uma igual. Assim, ela se tornou a Estelar Lua Verdadeira, um farol de esperança e luz no confronto eterno contra a escuridão.
Seu corpo ostentava as Marcas da Escuridão e Estrelas Vazias, servindo como lembretes do que enfrentava e do terror que a ausência de Luz infligia. Por milênios, Lua Verdadeira batalhou contra a escuridão, mesmo sem compreendê-la plenamente. Lançava sua Luz em todas as direções, sem ponderar as consequências, em uma busca desesperada para orgulhar seus criadores.
No entanto, quando estava prestes a libertar mais uma órbita inteira das garras da Escuridão, deparou-se com uma de suas criações. Algo que Lua Verdadeira jamais havia testemunhado. Ela encontrou Paenitet, uma Filha Umbral, portadora do poder de expulsar a Luz, concebida pelas entranhas da própria Escuridão.
Enquanto batalhavam com seus poderes diametralmente opostos, as duas causaram um evento inesperado. A Luz e a Escuridão começaram a se acumular em proporções iguais na órbita, e a colisão incessante de explosões celestiais condensou uma área intocável para ambas, estabelecendo uma fronteira e um impasse mal resolvido. Infelizmente, o cessar das hostilidades estava longe de ser o único problema...
O fato de Lua Verdadeira e Paenitet não conseguirem se destruir atraiu a atenção dos Estelares e da Escuridão, levando a uma reunião imediata entre os dois lados para discutir o ocorrido.
A área líquida gerada por ambas no centro da órbita era tóxica para os Estelares, e a Escuridão também não podia adentrá-la. Essa zona letal recebeu o nome de Miasma, e a única maneira de recuperar o campo de batalha onde a supremacia cósmica seria decidida seria eliminando-a.
Uma aliança temporária se formou entre os Estelares e a Escuridão. Juntos, deveriam encontrar uma maneira de destruir o Miasma. Todas as tentativas falharam, exceto uma: alguns Estelares e Filhos da Escuridão, incluindo Lua Verdadeira e Paenitet, fundiram-se em uma lâmina cósmica, violando a regra principal da Guerra da Soberania, com a permissão da Luz e da Escuridão.
O brandar da Lâmina Cósmica causou danos severos ao Miasma, que, pela primeira vez, demonstrou ser capaz de reagir e apresentou sinais de consciência. Em retaliação, a Miasma lançou sua essência contra a Lâmina, causando uma dor indescritível aos Estelares que a compunham, enquanto os Filhos da Escuridão eram completamente assimilados, condenados a ficarem presos em seu interior e a se corromperem lentamente com a toxicidade.
Afligida pela perda de sua amada amiga, Lua Verdadeira não suportou ver Paenitet ser levada para uma prisão de sofrimento. As feridas infligidas nela pelo Miasma não se comparavam à dor que sentia pela ausência de sua querida companheira. Lua Verdadeira se afastou das linhas de frente e entrou em um luto profundo, que duraria séculos. Pela primeira vez, a própria Luz se manifestou, enviando pequenos Corpos Celestes para coletar suas lágrimas luminosas, para que não fossem desperdiçadas e o sofrimento de Lua Verdadeira pudesse, eventualmente, ajudar na causa da Aliança Temporária.
Com o tempo se esgotando e as opções se reduzindo, a Luz e a Escuridão decidiram apostar no mesmo fenômeno que causou o surgimento da Miasma, o choque entre as duas. Porém, em vez de ser um choque alimentado pelo ódio, seria impulsionado pelo amor. A Guerra da Soberania seria oficialmente encerrada, em um juramento de Amor Celestial para a missão de salvar os Filhos Perdidos e restaurar o sorriso no rosto de Lua Verdadeira.
Uma ordem de retirada foi dada aos Estelares e Filhos da Escuridão, para que seus líderes assumissem a frente. Então, diante de sua adversária, a Luz e a Escuridão se chocaram, gerando uma entidade controlada, que tinha a mesma composição da Miasma. Esta entidade foi batizada de Árvore Espiritual e foi colocada sobre a Miasma, com o objetivo de fazer crescer raízes até o núcleo tóxico daquela zona e, finalmente, purificá-lo para libertar os Filhos Perdidos da Escuridão.
A Árvore Espiritual possuía sua própria consciência e era responsável por guiar todos os filhos resgatados para o além, onde se reuniriam com os Estelares e a Escuridão.
Os Filhos da Miasma e os Juízes
A Vida Anima, a guerra pelos Frutos, e os Juízes que partem o mundo em dois.
Ao emergir do solo da Miasma, a Árvore Espiritual rapidamente encontrou o que estava escondido em seu interior e ficou chocada ao perceber que aquela zona não lutava em vão. Durante todo esse tempo, ela estava protegendo algo que ia além da compreensão da Luz e da Escuridão. Ela estava protegendo o que a Árvore chamou de "Vida Anima", seres constituídos tanto por elementos espirituais quanto corpóreos, com sentimentos, consciências distintas e comunidades impressionantes.
Esses seres se aproximaram da Árvore Espiritual e passaram a venerá-la pelos frutos e pela sabedoria que ela tinha para compartilhar. Gradualmente, aquela que havia chegado para destruí-los acabou se apaixonando por eles.
Como era de se esperar, a Luz e a Escuridão não ficaram satisfeitas com o rumo dos acontecimentos. No entanto, mantiveram a fé na Árvore Espiritual e ordenaram que os Estelares e Filhos da Escuridão remanescentes oferecessem proteção e apoio, na medida do possível, mesmo que eles não pudessem penetrar na Miasma.
Os frutos da Árvore Espiritual permitiram que os habitantes se multiplicassem mais do que o normal. Em apenas alguns séculos, a Miasma começou a crescer exponencialmente, e seus habitantes começaram a assumir formas diferentes e a falar línguas distintas entre si. Até que o inevitável ocorreu...
Não havia frutos suficientes para sustentar o crescimento exponencial da população. Mesmo com todo o esforço da Árvore Espiritual, e apesar de seu tamanho imensurável, era impossível alimentar a todos. Isso levou a uma guerra pelo poder dos frutos, uma guerra cujas razões seriam conhecidas apenas pelos seres mais poderosos daquele lugar, aqueles que conheciam a verdadeira capacidade dos frutos: Eleanor, a Rainha do povo de Arcazia, e Voreios, o Rei dos Injustiçados, as autoridades que emergiram dos povos formados.
Após inúmeras batalhas sangrentas e brutais, Eleanor conseguiu aproximar Arcazia do domínio da Árvore Espiritual, que estava desolada com toda a situação. Ver aqueles a quem tanto amava se digladiar para obter um pouco de seu poder era mais do que ela fora feita para suportar. Diante disso, antes que o sofrimento alcançasse o cerne da Árvore, os Estelares que estavam de prontidão agiram rapidamente:
Ao redor da Árvore, foram plantados seres poderosos e majestosos para impedir que o povo de Arcazia e os injustiçados tivessem acesso a ela. Eles foram criados para julgar a ganância e a luxúria dos Filhos da Miasma e, por isso, seriam chamados de Juízes. Entre eles estavam:
Tamathel, o Juiz do Tempo, que surgiria para punir aqueles que empregaram seu tempo na busca pelo poder;
Rhynella, a Juíza da Luxúria, que surgiria para desmantelar a cobiça erótica de todos os Seres Corpóreos;
Huskborn, o Juiz do Ódio, que avaliaria todos aqueles que usaram a motivação gerada pelo ódio;
Bondade, a Juíza da Honra, que julgaria os que tentaram impedir o conflito;
E, por fim, Autoridade, a Juíza dos Juízes, que viria para mediar as punições.
Unidos, eles não apenas puniram o povo em guerra, mas também os baniram para fora do plano da Árvore, dividindo o interior da Miasma em dois mundos: o Exterior e o Espiritual. A separação desses planos consumiu o poder dos Juízes de forma intensa, deixando-os até mais fracos do que o Povo de Arcazia e os Injustiçados. No entanto, agora estariam a salvo, já que os punidos jamais poderiam retornar ao Mundo Espiritual, exceto na morte, onde se tornariam ecos para serem julgados novamente, antes de serem entregues ao além, assim como deveria ser feito com os Filhos Perdidos da Escuridão, cujo paradeiro nem mesmo o mais sábio dos Estelares conhecia...
Eleanor, a Primeira Imortal
Ela engana a morte, rouba o tempo de Tamathel e jura aliança secreta com Voreios.
Durante o julgamento das potestades que incitaram as batalhas pelos Frutos Espirituais, Eleanor, sendo julgada por Huskborn, o desafiou:
Ela propôs que se o Juiz fosse capaz de demonstrar mais ódio do que ela, não iria para o além, nem mesmo retornaria para o Mundo Exterior. Ele poderia consumir a alma dela completamente. Diante de uma oferta que considerou imprudente, Huskborn não hesitou em aceitar, apenas para mostrar à mortal o seu lugar. Contudo...
Quando Huskborn tentou tocar Eleanor para iniciar o duelo contra sua alma, algo inesperado o aguardava: Eleanor não estava morta. De maneira astuta, a Rainha de Arcazia conseguiu enganar a morte. Ela planejou uma morte temporária, utilizando uma técnica sombria de seu próprio inimigo, Voreios, que exigia um sacrifício profano: o filho em seu ventre, seu primogênito e herdeiro do trono.
Com o pouco tempo que tinha antes de retornar à vida, fazendo seu corpo consumir o filho que gerava, ela atacou o Juiz...
Eleanor se moveu rapidamente, desferindo golpes poderosos, enquanto Huskborn tentava se defender perante o susto. A batalha foi intensa e brutal. O som do aço se chocando e os gritos de fúria de ambos os combatentes ecoavam pelo ambiente. Eleanor demonstrava uma ferocidade impressionante, desviando e bloqueando os ataques de Huskborn com habilidade, enquanto procurava brechas na defesa do Juiz para desferir seus golpes.
Em um momento crucial, Eleanor viu uma oportunidade e atacou com toda sua força, desferindo um golpe certeiro no peito de Huskborn, fazendo-o cambalear para trás. Aproveitando-se da situação, desferiu um último golpe, no capacete do Juiz, que enfraquecido pela tarefa de separar os mundos, não suportou e caiu nos chãos celestes, ficando à mercê de Eleanor. Ela se posicionou sobre ele e começou a estrangulá-lo diante dos outros Juízes, que se viram forçados a apenas assistir, já que a força da Rainha de Arcazia superava a de todos eles.
Em um ato desesperado, temendo perder seu irmão, Tamathel removeu o ponteiro mais afiado do relógio em seu rosto e empalou Eleanor pelas costas, conectando sua alma à da mortal, com o objetivo de fazer o tempo retroceder para ambos e salvar Huskborn. Como consequência, da mesma forma que a Miasma absorveu a Escuridão, Eleanor, oriunda da Miasma, absorveu parte de Tamathel pouco antes de despertar no Mundo Exterior novamente. Com isso, ela deixou os Juízes para trás com o pecado capital de permitir que um eco saísse do Mundo Espiritual sem julgamento, e com o poder de manipulação temporal, tornando-se efetivamente o primeiro ser imortal de todo o Mundo Exterior.
Por ter recorrido a uma Magia Abissal proveniente de seu próprio inimigo e cometido a mesma blasfêmia que um Injustiçado, Eleanor abandonou seus valores e decidiu se redimir com Voreios em segredo. Ela concedeu a ele o dom da imortalidade e, juntos, fizeram um juramento de aliança oculta: como não havia alimento suficiente para todos, uma guerra seria travada entre os dois reinos que governavam a cada cem anos para reduzir a população. Isso perduraria até que ambos elaborassem um plano para destruir os Juízes e recuperar a Árvore Espiritual.
Da aliança secreta, nasceu outra herdeira de Arcazia no ventre de Eleanor. A menina, fruto da união entre Injustiçado e Arcaziano, nasceu saudável e recebeu o nome de Aspra. Ela cresceu sob os cuidados de Eleanor até começar a mostrar os primeiros sinais de sua herança Injustiçada, seu cabelo começou a exibir mechas brancas. Antes que o povo Arcaziano tomasse conhecimento dessa peculiaridade, Aspra foi entregue a uma ordem confiável de Voreios e Eleanor, os Cavaleiros de Kordon, que seriam responsáveis por criá-la até a idade adulta.
Aspra deveria crescer sem saber nada sobre seu pai. Voreios deveria ser seu inimigo, e sua mãe, Eleanor, a pessoa que a abandonou. Essa foi a história criada para ser repetida diariamente àquela que um dia se tornaria uma das líderes da maior organização opositora de seus pais: Os Mercenários das Terras Pútridas.
Entregar sua filha para ser criada longe de si devastou Eleanor, que tentou tirar a própria vida diversas vezes, sem sucesso, amaldiçoada pelo que antes julgava ser um poder. Eventualmente, ela entrou em um estado de frieza sem precedentes, tornando-se insensível a qualquer emoção.
A Doença e o Deus Espinhoso
A Árvore adoece, Soria retorna, e o sacrifício de Setíferus salva o Povo dos Espinhos.
Enquanto isso, as divindades veneradas pelos Arcazianos e Injustiçados, cuidadoras das raízes da Árvore Espiritual, conhecidas como Deuses Luminosos e Deuses Umbrais pelos espíritos residentes, permaneciam alheias aos acontecimentos na Miasma. Desconheciam até mesmo a separação dos mundos, pois estavam muito ocupadas com o interior da Árvore, a terra natal de todos eles. Ignorar o drama que se desenrolava no Mundo Exterior e deixar tudo nas mãos dos Estelares e seus Juízes foi a pior decisão dessas entidades, pois a cada Arcaziano e Injustiçado que morria, um novo Eco era gerado para residir na Árvore até chegar a hora de seu julgamento.
Ecos de todos os tipos, com caráter ou sem, cruéis ou bondosos, não importava. A Árvore não suportaria por muito tempo, e os Juízes não tinham poder suficiente para deter Eleanor e Voreios, muito menos para julgar eficientemente a quantidade exacerbada de mortos que chegavam a cada século. A guerra estava fadada a acontecer a cada cem anos, e a vingança dos dois imortais do Mundo Exterior se aproximava cada vez mais.
Então, conforme temido pelos Estelares, Juízes, Luz e Escuridão, o pior aconteceu, a Árvore Espiritual adoeceu.
Ao perceberem que estavam lentamente perdendo sua preciosa filha para a corrupção e sofrimento causados pela instabilidade dos ecos, a Luz e a Escuridão foram tomadas pela ira. Passaram a atacar incansavelmente a Miasma, como animais desesperados lutando por sua prole. A cada golpe, as paredes da Miasma gritavam em agonia indescritível, gerando angústia que causava terremotos de intensidade incalculável no Mundo Exterior. Isso só serviu para acelerar as mortes e adoecer ainda mais a Árvore Espiritual.
A doença se espalhou até mesmo aos galhos mais baixos da Árvore Espiritual, e o resultado foi devastador. Todos os ecos que estavam prestes a amadurecer foram contaminados, e as entidades que os utilizavam para estender as raízes da Árvore, tiveram suas mentes afetadas, mergulhando-os em um estado de loucura gradual.
Incapazes de perceber a mudança dentro de si, eles se tornaram mais cruéis a cada ano que passava. A doença corrompeu seus interiores, distorcendo-os e afastando-os de seus propósitos verdadeiros: fazer com que as raízes da Árvore Espiritual alcançassem o núcleo da Miasma.
No entanto, havia uma Deusa Luminosa que estava no Mundo Exterior apoiando os Juízes e, por sorte, não foi afetada pela doença. Ela conseguiu retornar para dentro da Árvore Espiritual com sua sanidade intacta e conhecimento completo da situação. Seu nome era Soria, a Deusa Luminosa da Esperança.
Soria assumiu a responsabilidade de trazer a cura e a estabilidade de volta à Árvore Espiritual. Ela se empenhou em purificar os ecos contaminados e restaurar a sanidade das entidades afetadas pela doença, na esperança de que, juntos, pudessem retomar sua missão sagrada e salvar a Árvore Espiritual do colapso iminente.
No entanto, muitos acreditavam que Soria havia retornado tarde demais...
Ao restaurar a sanidade de seus irmãos, ela percebeu a ausência de um deles, Setiferus, o Deus Espinhoso. Durante o frenesi causado pela doença, seus irmãos, enlouquecidos, o expulsaram do galho luminoso e o condenaram ao abismo sombrio das raízes. Isso revelou uma realidade terrível para todos eles...
Se eles adoeceram sem nem mesmo estar próximos das raízes, Setiferus, que havia sido lançado diretamente na base delas, deveria estar completamente perdido. O pior era que essa suposição estava longe de ser incorreta. Enquanto estavam insanos, os Deuses Luminosos haviam lançado seu próprio irmão à morte. Luto e arrependimento os consumiram, mas nada poderia ser feito para trazê-lo de volta. Nem mesmo a esperança de Soria seria capaz de eliminar a fonte da Doença Espiritual.
Diante dessa realidade, Soria e os Deuses Luminosos redobraram seus esforços para curar a Árvore Espiritual e impedir que a corrupção se espalhasse ainda mais. Eles sabiam que, se não conseguissem, a morte de Setiferus teria sido em vão e a própria existência da Árvore estaria em perigo.
Nos abismos, com seu último suspiro, Setiferus deixou para trás um derradeiro desejo e usou a última gota de seu poder para proteger suas amadas criações da doença. Isso aconteceu por meio de um beijo, dado à única Ser Espiritual proveniente dele que saberia seu nome. E assim...
Através do beijo recebido por ela, qualquer Ser Espiritual Espinhoso tornar-se-ia imune e seria instantaneamente curado da doença. Com essa dádiva, essa mulher dedicou sua vida a curar seus semelhantes e manter viva a memória de Setiferus no coração de todos eles. Por essa realização, ela passou a ser conhecida como Mãe Espinhosa, a Puro Sangue de Espinho, e sua presença trouxe esperança para aqueles que sofriam com a doença e se sentiam abandonados.
O último desejo de Setiferus ecoava em sua mente, Liberdade. Setiferus almejava que seu povo pudesse viver uma vida tão digna quanto as dos outros operários da Árvore Espiritual, mas foram castigados junto a ele, condenados a um destino desmerecido.
A Revolta do Povo dos Espinhos
A Mãe Espinhosa sai do abismo e mata a Esperança.
Mãe Espinhosa, carregando em seu coração o legado de Setiferus, guiou seu povo para fora do Abismo das Raízes, atravessando os labirintos obscuros e desafiando todos os perigos que os cercavam. O Povo dos Espinhos, pela primeira vez em suas vidas, contemplaria os galhos da superfície e respiraria o ar espiritual, livre das amarras que os mantinham prisioneiros.
Em um ato de coragem e determinação, a Mãe Espinhosa liderou seu povo em busca de justiça e vingança, marchando em direção àqueles que os haviam abandonado em tempos de necessidade. Seus olhos, repletos de ira e dor, encaravam o horizonte, ansiando por um confronto inevitável.
A chegada do Povo dos Espinhos causou espanto e temor entre os habitantes dos galhos superiores da Árvore Espiritual. Suas presenças, antes invisíveis e ignoradas, agora se erguiam como uma ameaça, um lembrete do passado sombrio que assombrava os Deuses Luminosos.
Soria foi a primeira a recebê-los, movida pela culpa e o desejo de reparar os erros do passado. Ela tomou a iniciativa de encontrá-los para explicar o que tinha acontecido. Quando teve audiência com a líder do Povo de Setiferus, a Mãe Espinhosa, finalmente pôde esclarecer toda a injustiça que haviam sofrido. Porém, a Mãe Espinhosa não se mostrou satisfeita, pois os tais "Deuses" que Soria alegava conhecer, incluindo ela mesma, nem sequer tentaram ajudá-los. Eles haviam saído do inferno abissal por conta própria, sem a ajuda de nenhum dos Deuses. Tudo o que Soria dizia passou a ser ouvido como um insulto, um desprezo pela dor que haviam enfrentado.
O ódio tomou o corpo da Mãe Espinhosa gradualmente, uma fúria que crescia a cada palavra dita por Soria. E quando a Deusa da Esperança baixou a guarda, acreditando ter estabelecido um entendimento, viu um espinho grosso e afiado atravessar seu peito, arrancando a própria alma para fora de seu corpo. A traição e a dor nos olhos de Soria foram ofuscadas pela expressão de desafio e ira estampadas no rosto da Mãe Espinhosa.
A Esperança jazia despedaçada na superfície, banhada em Sangue Espiritual. O brilho outrora radiante de Soria havia sido apagado, e seu corpo inerte simbolizava a queda de um ideal considerado inabalável. Aquele era apenas o início da revolta do Povo dos Espinhos.
Inflamados pelo ódio e pela sede de justiça, os Espinhos avançavam como uma maré implacável, decididos a fazer com que todos os Deuses Luminosos pagassem pelo sofrimento que lhes fora infligido. Suas lâminas afiadas e espinhos mortais eram o instrumento de sua vingança, um lembrete constante de que não mais aceitariam o destino que lhes fora imposto.
Os Espinhosos espalhavam um terror sem precedentes entre os habitantes da Árvore Espiritual, atacando aldeias indefesas e escravizando ecos ainda imaturos, forçando-os a utilizar suas essências para servi-los, em vez de nutrir-se com elas. A expansão predatória dos Espinhosos e sua exploração voraz dos recursos começaram a alarmar os galhos vizinhos. Eles pareciam não compreender que a Árvore estava em um estado crítico, e quando Mãe Espinhosa finalmente mostrou interesse em estender seu domínio aos galhos adjacentes àqueles que já havia devastado, foi a gota d'água para um de seus vizinhos...
A Guerra das Estações
Frostmoon e os Nascidos do Inverno; Garador isola Gloomhaven, o Refúgio Sombrio.
A dinastia Frostmoon foi a primeira a se erguer como um bastião contra a tirania de Mãe Espinhosa. A Deusa Luminosa Freja, tomada pela ânsia de vingança pela morte de Soria, enviou sua própria filha para liderar seus mais valorosos cavaleiros. Juntos, formaram o lendário exército da Lua Glacial, o tufão invernal invencível que rapidamente se tornou o maior algoz dos Espinhosos.
Por trás de seu rosto inocente, a estratégia da Princesa Frostmoon, herdeira do trono Luminoso da Lua Glacial, era impecável. Ela também fazia questão de se juntar ao seu povo em cada batalha, depositando sua confiança inabalável nos seus companheiros de luta. A humildade e coragem da princesa se espalharam em histórias e lendas, assim como suas vitórias inacreditáveis e improváveis, que se acumulavam cada vez mais. Pela primeira vez, Mãe Espinhosa sentiu inquietação.
Inúmeras batalhas foram travadas entre o Povo dos Espinhos e esses vizinhos autoproclamados Nascidos do Inverno. Foram tantas e tão constantes, que os nomes dessas batalhas se entrelaçaram em um único título, tornando-se partes singulares de um conflito maior, conhecido como a grandiosa,
Guerra das Estações.
A batalha das Lágrimas Gélidas foi a primeira das várias entre os Espinhosos e os Nascidos do Inverno. Ocorreu no galho conhecido como Vale dos Ventos, um lugar onde ecos amadurecidos brilhavam como estrelas nas noites mais escuras. O Povo dos Espinhos, marchava em direção a esse paraíso, pronto para conquistá-lo e escravizar seus habitantes. Contudo, eles foram pegos de surpresa por Frostmoon.
A batalha começou com o crepúsculo, quando o céu se tingia com auroras boreais. O exército da Lua Glacial se posicionou em uma formação defensiva, criando muralhas de gelo e trincheiras congelantes para impedir o avanço dos Espinhosos. A Princesa Frostmoon, empunhando sua espada cristalina, liderou a carga contra as hordas de Espinhosos, cortando-os com uma fúria gélida.
Os Espinhosos responderam com sua própria força, atirando espinhos venenosos e lançando rajadas de energia escura. A batalha se intensificou, e o Vale dos Ventos tornou-se um campo de guerra caótico, onde a beleza dos ecos amadurecidos contrastava com a violência e o derramamento de sangue.
Durante a agonia insuportável do campo de batalha, Mãe Espinhosa e a Princesa Frostmoon se encontraram no centro do conflito....
Uma luta épica se desenrolou entre as duas líderes, com a Princesa Frostmoon utilizando sua habilidade e destreza no manejo da espada, enquanto Mãe Espinhosa empregava sua força bruta e crueldade. A batalha entre as duas durou vários e intensos minutos, com ambas sofrendo ferimentos graves, mas nenhuma delas desistindo.
Enquanto isso, os Nascidos do Inverno e os Espinhosos continuavam a lutar ferozmente. A cada ataque de um lado, o outro contra-atacava com igual ferocidade. O campo de batalha era coberto de gelo e espinhos, enquanto os corpos dos combatentes caídos se acumulavam.
Em um momento crítico, a Princesa Frostmoon percebeu uma fraqueza nas defesas dos Espinhosos e ordenou um contra-ataque fulminante. Seu exército avançou com força total, rompendo as fileiras dos Espinhosos e fazendo-os recuar em desordem. Enquanto Mãe Espinhosa se via forçada a recuar, a Princesa Frostmoon ergueu sua espada, declarando a primeira vitória dos Nascidos do Inverno.
Enquanto a Filha de Freja conseguia conter o avanço impiedoso dos Espinhosos, os outros Deuses Luminosos se empenhavam em buscar maneiras de restringir os órfãos de Setiferus dentro do galho que devastaram. O Povo dos Espinhos ignorava os perigos que os aguardavam além dos inimigos já enfrentados. Embora fossem imunes à doença, não eram imunes à força daqueles afligidos pelos estágios finais do sofrimento causado pelas guerras intermináveis do Mundo Exterior. Mesmo após tudo que fizeram, Garador, impulsionado por um senso de misericórdia em respeito à coragem deles, optou por uma decisão difícil, porém vital para a sobrevivência da Árvore Espiritual.
As escrituras sagradas afirmam isso, mas há quem acredite que o Deus da Ordem tomou tal atitude por desespero e falta de confiança nos filhos de seus irmãos...
Então, Garador invocou sua influência para erguer uma muralha intransponível que encapsulava o galho que o Povo dos Espinhos arruinara, isolando-os dos demais galhos da Árvore Espiritual. A atmosfera densa e opressora dessa prisão refletia a sombria escuridão que consumia os corações dos Espinhosos, servindo também como um lembrete constante das consequências de seus atos.
Presos dentro dessa fortaleza na terra que passou a ser conhecida como Gloomhaven, o "Refúgio Sombrio", o Povo dos Espinhos e os outros habitantes passaram a lutar pelo pouco território restante. Enquanto isso, a Filha de Freja e seu exército, os Nascidos do Inverno e os refugiados de guerra, mantinham a vigilância nas fronteiras do Refúgio Sombrio, prontos para enfrentar os Espinhosos novamente, caso ousassem atacar. O ódio e o rancor entre os dois povos só se intensificavam, alimentando as chamas de um conflito que parecia interminável.
Astella e o Massacre Invernal
Um segredo, a hibernação da Lua Glacial, e a noite do Massacre Invernal.
Uma década de estagnação, fome e desespero se abateu sobre todos. A morte dos Seres Espirituais que participavam da Guerra das Estações já era esperada e, uma vez alistados, não se previa seu retorno para casa. O plano de Garador funcionava até certo ponto: a pressão contínua contra os Espinhosos estava encurralando Mãe Espinhosa, que, por um breve momento, chegou a considerar a rendição. Entretanto, alguém que compartilhava o mesmo ódio pelos Deuses Luminosos surgiu para revelar um segredo terrível...
Seu nome era Astella. Ela se apresentou a Mãe Espinhosa como uma vizinha dos galhos abaixo de Gloomhaven, aprisionada pela muralha de Garador por acidente. Astella alegou conhecer muito bem os Deuses Luminosos e afirmou saber de todos os pontos fracos dos inimigos de Mãe Espinhosa. A misteriosa mulher disse que estaria disposta a compartilhar tudo, contanto que o Povo dos Espinhos fornecesse fragmentos de si mesmos para os semelhantes de Astella, que até então não haviam se identificado.
Mãe Espinhosa hesitou, mas a possibilidade de derrotar seus inimigos e libertar seu povo era tentadora demais para ser ignorada. Ela aceitou o acordo e, em troca do conhecimento de Astella, entregaria os fragmentos de Seres Espirituais Espinhosos para serem usados pelos aliados enigmáticos de Astella.
Após ouvir a frase que mudaria todo o curso da Guerra das Estações a seu favor, pela primeira vez naquela década sombria, Mãe Espinhosa sorriu de orelha a orelha e soltou gargalhadas que mesclavam ódio e prazer sádico. Sua alegria macabra ecoava pelas paredes de Gloomhaven, anunciando um novo capítulo sinistro na guerra interminável.
Astella, por sua vez, apenas observava com seu olhar indiferente e desprovido de culpa, enquanto se retirava para aguardar sua parte do acordo. Ela sabia que havia dado às mãos da Mãe Espinhosa uma arma poderosa, e estava ciente das possíveis consequências dessa escolha.
A frase que Astella revelou a Mãe Espinhosa ecoava em sua mente: "Depois de uma década fazendo o inverno perdurar, a Lua Glacial está sem forças e logo irá hibernar, e junto dela, a maioria dos seus Seres Espirituais."
Com essa informação em mãos, a estratégia de Mãe Espinhosa se tornou cristalina. Ela sabia exatamente o que fazer agora: esperar pelo momento certo.
Pacientemente, ela instruiu suas tropas a se prepararem para o momento em que a Lua Glacial enfraquecesse e hibernasse. Enquanto aguardavam, o Povo dos Espinhos fortalecia suas defesas, acumulava recursos e se preparava para o contra-ataque que viria quando o momento propício chegasse.
Os dias se transformaram em semanas, e as semanas em meses, mas a Mãe Espinhosa permanecia inabalável em sua determinação. Ela sabia que, uma vez que a Lua Glacial caísse em seu sono profundo, as defesas dos Nascidos do Inverno seriam severamente enfraquecidas e sua vitória estaria ao alcance.
Finalmente, o dia tão aguardado chegou. A Lua Glacial, exaurida após uma década de inverno inclemente, sucumbiu à hibernação. Com isso, a maioria dos Seres Espirituais que habitavam a Lua Glacial também caiu em sono profundo, deixando seus territórios expostos e vulneráveis.
Mãe Espinhosa não hesitou e ordenou o ataque no exato momento em que isso ocorreu. Infelizmente, Frostmoon e suas tropas não tinham conhecimento dessa possibilidade. As forças do Povo dos Espinhos avançaram sobre os domínios, antes inalcançáveis, dos Nascidos do Inverno e encontraram a maior parte de seus defensores adormecidos e indefesos. Não houve clemência. Mãe Espinhosa ordenou a execução de todos, sem exceção, de crianças a idosos, ninguém deveria sobreviver.
Os poucos guerreiros que ainda resistiam ao sono foram rapidamente derrotados pelos Espinhosos, que, sedentos de vingança e movidos pelo ódio, seguiram as ordens de Mãe Espinhosa sem questionar...
Solarium, o Deus Luminoso do Sol do Verão, enviou reforços para as muralhas assim que testemunhou Freja desfalecer no galho celestial, mas suas tropas só chegariam ao amanhecer, e foi tarde demais.
Os Espíritos do Verão, as Almas Estivais, chegaram ao campo de batalha apenas para testemunhar um cenário de dor e desolação. Enquanto o sol poente banhava a terra com seus últimos raios dourados, eles percorreram lentamente os campos repletos de corpos e destroços, como se um véu de tristeza infinita os envolvesse.
Os guerreiros outrora orgulhosos e valentes jaziam imóveis e sem vida, como flores murchas que nunca mais sentiriam o calor do sol ou o abraço suave da brisa. O chão, antes fértil e acolhedor, estava agora encharcado com o sangue dos caídos, marcado por cicatrizes profundas que contavam histórias de violência e perda.
As Almas Estivais, com lágrimas cintilantes escorrendo por seus rostos etéreos, caminhavam em silêncio entre os corpos, acariciando suavemente as faces pálidas dos guerreiros falecidos e sussurrando palavras de amor e consolo. Mesmo em meio ao desespero e ao sofrimento, eles buscavam oferecer um último gesto de ternura e compaixão àqueles que haviam sacrificado tudo pela Árvore Espiritual.
Em suas mãos, os Espíritos do Verão seguravam delicadas flores, símbolos da beleza efêmera da vida e da esperança que ainda persistia em seus corações. Com gestos lentos e carinhosos, depositavam as flores sobre os corpos dos guerreiros, como se quisessem abrandar a dureza da morte com a suavidade da natureza.
A melodia triste e dolorosa de seus cânticos ecoava pelos campos, como um lamento silencioso pela dor que unia a todos, Deuses Luminosos e Seres Espirituais, em um abraço invisível de amor e perda. E, enquanto a noite se aproximava, as Almas Estivais continuavam sua vigília solene, honrando a memória daqueles que já não estavam entre eles, mas cujo legado viveria eternamente em suas lembranças e corações. Esse dia lamentável seria marcado na história como o Massacre Invernal.
Os Anos no Outono
A névoa cinzenta, a súplica de Anshatar e a queda dos Radiantes.
Depois do Massacre Invernal, uma névoa cinzenta e opressora se espalhou por todas as terras de Gloomhaven, atravessando as muralhas impenetráveis e alcançando o coração do Mundo no interior da Árvore Espiritual. Os Espinhosos permaneciam contidos, mas a doença do sofrimento, também conhecida como Doença das Estações, agravava-se a cada dia que passava.
Os céus perderam sua cor, tornando-se um manto monocromático que cobria tudo, e a fome dos Seres Espirituais só aumentava. Nenhum deles envelhecia mais, e o peito daqueles que não suportavam mais o sofrimento se rasgava, criando um vão enorme. O vazio estava dominando, a dor tornara-se uma constante e a esperança... parecia realmente ter morrido com Soria. O tempo estagnara, como se estivesse preso na estação representada por Setíferus, o Outono.
A Árvore Espiritual adentrou uma Era Sombria, clamando desesperadamente por um auxílio que parecia jamais chegar. Implorando para que alguém viesse salvá-la, ou para que, enfim, a cortassem pela raiz. Ela só ansiava pelo fim de tudo. A Árvore Espiritual estava enfim, na época de Ansenfall,
Os Anos no Outono.
Incapaz de simplesmente aceitar a derrota e a morte do povo de sua irmã Freja, e com seu próprio povo agora aprisionado dentro das muralhas de Garador, a Deusa Luminosa Anshatar, após sentir no próprio âmago que cultivar o orgulho luminoso apenas destruiria o que restava de bondade na Árvore Espiritual, decidiu deixar seu brasão divino de lado e implorar.
Com o coração pesado e os olhos marejados, Anshatar despiu-se de sua armadura celestial e ajoelhou-se diante do trono da Janela Estelar. Ela suplicou por clemência dos Estelares e da Luz, buscando encontrar uma maneira de restaurar a harmonia na Árvore Espiritual e acabar com o sofrimento de seus habitantes. A Miasma pela primeira vez em bilhões de anos pediu ajuda para a Luz e para a Escuridão.
Ao sentir o Crepúsculo Estelar inundar o Palácio do Galho Celestial em resposta à súplica de Anshatar, Garador sentiu-se envergonhado. Pedir ajuda aos Deuses que inicialmente queriam destruir seu lar, a Miasma, era, para ele, o maior sinal de fraqueza que ele e seus irmãos poderiam demonstrar. Enquanto a luz do crepúsculo se derramava sobre o palácio, revelando a misericórdia que os Estelares estavam dispostos a demonstrar, Garador não tentou nem lutar para aceitar o que estava acontecendo.
Tomado por um misto de orgulho ferido e desespero, Garador decidiu não fazer parte disso. Ele virou as costas para seu povo, para Anshatar e para seus irmãos. Com um coração pesaroso, deixou o Palácio do Galho Celestial, escolhendo o exílio e a solidão em vez de enfrentar a humilhação de pedir ajuda aos Deuses que antes o desprezavam.
O povo de Garador foi o primeiro a sentir o peso de sua partida. Eles eram os Radiantes, aqueles que controlavam a entrada e a saída dos aliados em Gloomhaven. Um povo cujo dourado das armaduras simbolizava o orgulho e cujas lâminas de ouro indestrutíveis representavam a fidelidade.
Quando Garador abandonou a Árvore Espiritual, as muralhas douradas se tornaram prateadas e a maioria dos Radiantes que nelas residiam se viram perdidos em meio à desolação. O dourado de suas armaduras, assim como o ouro resplandecente de suas almas e espadas, desbotou em um tom cinza-prateado e morto. Um tom sem vida e desprovido de esperança.
Agora, no auge do desespero, os antigos Radiantes passavam a vagar como espectros do que um dia foram, seus corações e mentes obscurecidos pela ausência de seu Deus e suas consciências totalmente dominadas pelo propósito vazio que lhes restava, totalmente deturpado: impedir a entrada e saída de qualquer um nas muralhas. As muralhas de Gloomhaven, que antes brilhavam com o esplendor dourado da proteção divina, agora eram um sinistro lembrete da traição e do abandono.
A Palavra de Astella
A Representante Banida dos Inflamados fala com você.
"É isso.
Estamos todos aprisionados aqui, compreende? Eu diria "bem-vindo", mas tenho certeza de que já percebeste que ninguém deveria estar neste lugar. Odeie-me, se assim quiser, eu não tive escolha. Nenhuma de nós teve. Por vezes me arrependo, mas este lugar já arrancou o suficiente de mim e já não tenho mais lágrimas para derramar.
Entretanto, é por isso que estou me dirigindo a ti agora.
Seja tu um eco bom ou ruim, transforme-se num espírito benévolo ou maligno, Ajude-nos a pôr um fim a esta agonia, Destruindo tudo, Ou Salvando a todos."
, Astella, a Representante Banida dos Inflamados, para você.
Muitíssimo obrigado por ler a lore de Ansenfall. Você acabou de ficar, em média, 24 minutos dentro do nosso mundo. Se gostou e quer ficar mais, nós iremos ficar felizes em te receber. Sentiu que algum contexto ficou faltando, ou que alguma informação importante não foi posta aqui? Não se preocupe, é de propósito. Assim como essa história, as raças, facções e todos os outros conteúdos que residem nos canais deste servidor possuem todas as contextualizações e detalhes que você pensar em precisar (porque cá entre nós, dado o nível de detalhe, postar todas elas aqui seria absurdamente inviável para a fluidez da história), e não foi improvisado não! As raças e todo o resto foram feitos antes da história, então está tudo conectado e o que foi deixado de lado, foi deixado de forma intencional! Você ainda tem muito o que explorar, mesmo assim, espero te ver em breve, Ser Espiritual.