As águas são negras não por causa da profundidade, mas porque se recusam a devolver qualquer luz.

As águas são negras não por causa da profundidade, mas porque se recusam a devolver qualquer luz.
Vanisser não termina numa fronteira. Termina no Mar do Véu Cinzento — e termina nele em todas as direções. Qualquer viajante que insista em atravessar a região acabará diante da mesma costa negra, ainda que tenha caminhado para o interior. Por isso, há quem diga que o mar não circunda Vanisser: é Vanisser que existe aprisionada dentro dele.
As águas são negras não por causa da profundidade, mas porque se recusam a devolver qualquer luz. Sobre elas repousa a Névoa Cinzenta, espessa o bastante para ocultar o horizonte e silenciosa o bastante para abafar o choque das ondas. Distâncias perdem valor dentro dela. Uma embarcação pode navegar por uma noite e envelhecer décadas; outra pode desaparecer durante séculos e retornar antes do próprio dia da partida.
É dessas viagens impossíveis que surgem os navios vistos junto à costa. Chegam partidos, inclinados e cobertos pelo sal de mares que não existem nos mapas de Gloomhaven. Não trazem tripulação, apenas pegadas molhadas atravessando o convés, sinos tocando sob a água e diários que descrevem acontecimentos ainda não ocorridos. Alguns encalham. Outros voltam à névoa assim que alguém pronuncia o nome gravado no casco.
Ao longe, o facho negro do Farol Invertido abre uma passagem na bruma. Segui-lo é a única forma conhecida de navegar pelo Mar do Véu Cinzento — e também a razão pela qual tantas coisas encontram Vanisser vindas de fora. Todo farol promete uma margem. Este promete apenas uma entrada.
Ecos canônicos. Ainda não há ecos registrados neste local. O que aqui vier a acontecer será o primeiro.
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